sábado, 22 de fevereiro de 2025

PORQUÊ E PARA QUÊ RECORDAR ESTE PASSADO?


 

RECORDAÇÕES DE UM BANCÁRIO NA REFORMA



PORQUÊ E PARA QUÊ RECORDAR ESTE PASSADO?


No meu tempo é que era bom” é uma frase usada frequentemente por pessoas com mais de 65 anos (vulgarmente conhecidas como velhos) e que não conseguem ou se recusam a comparar, com conhecimento de causa, a sociedade em que vivem actualmente com aquela em que viviam há uns anos atrás. Nunca compreendi a ideia de que o tempo de alguém se reduzisse a um período de uma vida mais jovem e é o que essa frase obviamente transmite. Quem o diz (a frase) está a afirmar que o “agora” já não é o seu tempo!



Pessoalmente considero que “o meu tempo” é todo aquele em que penso e, por isso, existo. E é nesta perspectiva que entendo que se há uns anos atrás a sociedade globalmente considerada era melhor que a actual, então, colocam-se-me duas situações: ou nada fiz para tornar a sociedade melhor ou se o fiz não o quiseram fazer a maioria dos meus concidadãos.



A UNIDADE NA ACÇÃO

(Alguém se recorda do que isto quer dizer?)


Vem isto a propósito de ter ido ao “baú das recordações” e ao deparar-me com a primeira página de “O Bancário”, jornal do Sindicato dos Bancários de Sul e Ilhas (SBSI), de 30 de Setembro de 1994, que tinha como Director Barbosa de Oliveira e como Subdirector Sebastião Fagundes, reflectir, só por olhar (com olhos de ver) para aquela primeira página, como o sindicalismo ao nível dos trabalhadores bancários mudou desde então. (E só ao nível dos Bancários?)



No canto superior esquerdo de “O Bancário” está uma foto de Torres Couto, então Secretário Geral da UGT e do lado oposto, no canto superior direito, podemos ver a foto de Carvalho da Silva, Coordenador da CGTP-IN. Com um pouco mais de atenção constamos que é reportado que nas páginas 8 e 9 do jornal há entrevistas a estes dois sindicalistas.



Esta bem patente liberdade de expressão, num órgão de comunicação social de um sindicato filiado na UGT, não se resume apenas àquele único exemplar e àquelas duas fotos, mas é um exemplo de uma política sindical que teve lugar entre 1988 e 2000 e que contribuiu para aquilo que eu designo como a “idade de ouro” do sindicalismo no seio dos trabalhadores bancários.



A IDADE DE OURO DO SINDICALISMO BANCÁRIO


Permito-me recordar alguns exemplos que comprovam a política comunicacional do SBSI nesse período e que eram reproduzidos em “O Bancário”:



- O Direito de Tendência não era apenas consignado estatutariamente. Os representantes dos trabalhadores organizados no Conselho Geral do SBSI tinham direito a um espaço em “O Bancário” para se dirigirem aos trabalhadores;



- Eram frequentes as reuniões com Delegados Sindicais e muitos foram os colóquios promovidos, com a participação dos trabalhadores bancários, sobre os mais diversos temas em que participaram, também, representantes da UGT e da CGTP-IN;



- Administradores e altos representantes da Banca eram convidados (e aceitavam, tal era o prestigio do SBSI) debates e no decorrer dos mesmos eram democraticamente confrontados com as posições do Sindicato e dos trabalhadores bancários em geral;



- O corolário desta política de comunicação (que embora de forma muito ténue se esforçava para despartidarizar as relações sindicais e de trabalho) levaram à promoção de umas Jornadas Sindicais em que os dirigentes do SBSI contactaram os bancários em todas as agências bancárias da área do sindicato e em todos os Distritos e Regiões Autónomas tiveram lugar reuniões de esclarecimento, diálogo e confraternização com os trabalhadores.



Este foi um período em que os Dirigentes do SBSI estiveram frente a frente, olhos nos olhos, quase que permanentemente, com os trabalhadores bancários e que no “terreno” prestavam contas do que faziam e do que tencionavam fazer. COM O TEMPO AS COISAS MUDARAM!



PORQUÊ E PARA QUÊ RECORDAR ESTE PASSADO?


Primeiro, porque sendo, como tantas vezes se diz, a memória dos homens curta, é importante que os que viveram aqueles tempos que foram a “Idade de Ouro” do sindicalismo bancário possam transmitir aos novos e actuais bancários as vivências e também as lutas reportadas às conquistas que se alcançaram e que, muitas delas, infelizmente, se foram perdendo;



Segundo para que os novos e actuais bancários acreditem que a transparência e a honestidade posta na acção sindical junto de todos os bancários na defesa dos seus (nossos) direitos, reivindicações e interesses não é uma utopia e que pode ser, será, uma realidade, assim o queiram.



E O BANCÁRIO NO ACTIVO O QUE QUER?


Há que ter consciência que a luta pela recuperação do sindicato para um sindicalismo transparente, interventivo e reivindicativo nunca será feito pelos bancários na situação de reforma, não obstante estes poderem dar alguma colaboração. Compete à actual geração de bancários, a exemplo do que fizeram anteriores gerações, decidir:


a) Se querem um sindicato entregue ao domínio de meia dúzia (ou de uma parte) que não cumpre o que promete e que não reúne, já directamente com os trabalhadores, já indirectamente, através dos Delegados Sindicais e dos membros do Concelho Geral, para auscultação dos anseios dos trabalhadores...


b) Ou se querem um sindicato em que quem toma as decisões mais importantes são os próprios trabalhadores que reúnem com os seus delegados sindicais e com os eleitos para o Concelho Geral e os mandatam para tomarem as posições que aprovarem previamente? Simplificando: se querem um sindicato em que a Direção saia dos gabinetes e vá aos locais de trabalho?