segunda-feira, 16 de março de 2026

AFERIR A REPRESENTAÇÃO SINDICAL

 


AFERIR A REPRESENTAÇÃO SINDICAL



PORQUÊ?

Em Portugal, a representatividade sindical é difusa, pouco transparente e sem um mecanismo nacional de aferição. Isso cria distorções: Sindicatos com poucos trabalhadores podem negociar contratos coletivos, enquanto outros com forte implantação ficam de fora. E há exemplos desta situação em Portugal.

Um Sindicato (ou uma Central Sindical), para ser representativo deveria ter pelo menos um x de representantes eleitos ou um x de filiados. Só assim, esses sindicatos (ou essas Centrais Sindicais) teriam o direito a participar em negociações coletivas.

No entanto os sindicatos representativos de um Sector de Actividade mesmo que não atingissem os limiares nacionais ou regionais, poderiam ser reconhecidos como representativos num setor específico, desde que tivessem um pré determinado número de representantes eleitos ou de filiados nesse ramo.

Por outras palavras, seria necessário a mensuração objectiva da representatividade para se saber qual o Sindicato (ou Central Sindical) que realmente representava os trabalhadores de um Sector de Actividade, de uma região ou a nível nacional. Este sistema poderia impedir a proliferação de sindicatos sem base de apoio e evitaria também que, sindicatos sem expressão real e minoritários negociassem e subscrevessem contractos colectivos de trabalho, sobrepondo-se a outros realmente representativos.



Vem isto a propósito de sindicatos (e/ou Centrais Sindicais) com expressão sindical serem marginalizados até da discussão das leis laborais e da negociação das mesmas e da Contratação, em comparação com outros de alegadamente menor representação.



A AFERIÇÃO DA REPRESENTATIVIDADE NA EUROPA

quatro grandes modelos:

  1. Modelo eleitoral (o mais transparente)

  2. Modelo de filiação (o mais tradicional)

  3. Modelo híbrido (eleições + filiação + critérios legais)

  4. Modelo sem aferição formal (o mais opaco)


1️ Modelo Eleitoral

Países onde a representatividade é medida por eleições formais nas empresas

Nestes países os trabalhadores elegem representantes e os resultados determinam a força dos sindicatos.

País

Como funciona

Espanha

Eleições de delegados e comités de empresa; percentagem nacional define “sindicatos mais representativos”.

França

Eleições profissionais obrigatórias; sindicatos precisam de ≥10% dos votos para negociar; muito rigoroso.

Bélgica

Eleições sociais de 4 em 4 anos; representatividade medida por votos; sindicatos têm estatuto legal forte.

Luxemburgo

Eleições para delegados; sindicatos precisam de ≥20% dos votos para serem representativos.

Grécia

Eleições internas nos sindicatos e federações; representatividade aferida por votos e registos.

Turquia

Representatividade aferida por percentagem de filiados no setor + eleições internas.



A representatividade é objetiva, mensurável e pública.


2️ Modelo de Filiação

Países onde a representatividade é medida pelo número de membros

O foco é a densidade sindical, não eleições.

País

Como funciona

Reino Unido

Representatividade baseada em filiação e reconhecimento voluntário pelas empresas.

Irlanda

Sem eleições formais; filiação e acordos voluntários.

Países Nórdicos (Suécia, Dinamarca, Finlândia, Noruega)

Altíssima filiação; sindicatos fortes; representatividade baseada no número de membros.

Islândia

Filiação quase universal; sindicatos têm poder legal automático.



Estes países têm sindicatos muito fortes


3️ Modelo Híbrido

Países que combinam eleições, filiação e critérios legais

País

Como funciona

Alemanha

Representação dos trabalhadores via Betriebsrat (conselhos de empresa), mas estes são independentes dos sindicatos; representatividade sindical mede‑se por filiação e presença setorial.

Áustria

Sistema semelhante ao alemão; forte papel das câmaras de trabalho.

Holanda

Representatividade baseada em filiação + acordos setoriais + reconhecimento patronal.

Itália

Modelo complexo: representatividade aferida por filiação + resultados eleitorais nas RSU (representantes unitários).

Suíça

Representatividade baseada em filiação + acordos voluntários + presença setorial.

República Checa / Eslováquia / Hungria

Mistura de filiação com critérios legais para negociar.



Estes países têm sistemas mais equilibrados, mas menos transparentes do que os países que seguem o Modelo Eleitoral


4️ Modelo Sem Aferição Formal

Países onde não existe qualquer mecanismo nacional de aferição

País

Como funciona

Portugal

Não há medição nacional; qualquer sindicato pode negociar; representatividade é opaca.

Polónia

Representatividade depende de critérios internos e reconhecimento patronal.

Roménia / Bulgária

Sistemas frágeis; representatividade pouco clara.

Sérvia / Bósnia / Albânia / Macedónia

Estruturas sindicais fragmentadas; sem aferição nacional.



Portugal está neste grupo — e isso explica muitos dos problemas da negociação coletiva.


Síntese dos modelos



Modelo

Países

Vantagens

Desvantagens

Eleitoral

Espanha, França, Bélgica, Luxemburgo

Transparência, legitimidade, estabilidade

Exige organização e registo nacional

Filiação

Nórdicos, Reino Unido, Irlanda

Simples, sindicatos fortes

Pode não refletir apoio real na empresa

Híbrido

Alemanha, Itália, Holanda

Equilíbrio entre modelos

Complexidade jurídica

Sem aferição

Portugal, Leste Europeu

Flexibilidade

Falta de legitimidade e transparência


Conclusão geral

Portugal está entre os poucos países europeus sem qualquer mecanismo formal de aferição da representatividade sindical, divergindo da maioria dos países europeus que usa eleições ou filiação clara para medir força sindical.




IMPACTOS ECONÓMICOS E SOCIAIS DOS MODELOS

1. Visão rápida por modelo

Modelo

Exemplo

Impactos económicos

Impactos sociais

Eleitoral

Espanha, França, Bélgica

Negociação mais estável, menos fragmentação, maior previsibilidade salarial

Maior legitimidade, participação e confiança

Filiação

Nórdicos, Reino Unido

Alta cobertura, forte coordenação salarial

Coesão social, baixos níveis de conflito aberto EUR-Lex

Híbrido

Alemanha, Itália, Holanda

Equilíbrio entre flexibilidade e proteção

Forte cultura de diálogo social

Sem aferição

Portugal, vários de Leste

Fragmentação, incerteza, risco de “dumping”

Desconfiança, conflitos mais desordenados APS – Associação Portuguesa de Sociologia CES - Centre for Social Studies


2. Modelo eleitoral

Económico:

  • Mais previsibilidade para empresas (sabem com quem negociar e por quanto tempo).

  • Redução de “concorrência desleal” entre sindicatos.

  • Menos risco de convenções assinadas por estruturas frágeis → maior cumprimento.

Social:

  • Trabalhadores sentem que escolhem diretamente quem os representa.

  • Aumenta a legitimidade das greves e das negociações.

  • Pode aumentar a participação e a cultura democrática no local de trabalho.


3. Modelo de filiação

Económico:

  • Nos nórdicos, alta filiação → negociação centralizada forte, com impacto positivo na redução de desigualdades e na estabilidade macroeconómica. EUR-Lex

  • Pode ser mais flexível que o modelo eleitoral, mas depende muito da cultura de diálogo.

Social:

  • Forte sentimento de pertença ao sindicato.

  • Menos necessidade de “provar” representatividade, porque ela é evidente na densidade de filiação.

  • Risco: se a filiação cair, o sistema perde força rapidamente.


4. Modelo híbrido

Económico:

  • Combina:

    • estabilidade (como no modelo eleitoral),

    • com flexibilidade (como no modelo de filiação).

  • Alemanha/Áustria mostram que este modelo é compatível com elevada competitividade industrial e baixos níveis de conflito destrutivo.

Social:

  • Conselhos de empresa + sindicatos criam uma dupla proteção:

    • representação no local de trabalho,

    • negociação setorial/nacional.

  • Requer cultura de compromisso e instituições fortes.


5. Modelo sem aferição formal (onde está Portugal)

Económico:

Social:

  • Trabalhadores podem sentir que:

    • ninguém me perguntou nada”,

    • os acordos são feitos “por cima”.

  • Aumenta o risco de conflitos fora dos canais formais (greves selvagens, movimentos informais).


PERGUNTAS:

Interessa ao Movimento Sindical a existência de um modelo que afira da representatividade dos sindicatos e das Centrais Sindicais?

Interessa aos trabalhadores que se conheça a representatividade real mensurada dos sindicatos e das Centrais sindicais?

Interessa às entidades patronais que exista uma mensuração objectiva dos sindicatos e das Centrais Sindicais e que a legislação seja consequente com essa aferição?

Interessa aos Governos que a aferição da representação sindical de sindicatos e Centrais Sindicais seja feita periodicamente para haver legislação em consonância com essa representatividade?



domingo, 7 de dezembro de 2025

A PARTICIPAÇÃO DOS REFORMADOS NA GREVE



 A PARTICIPAÇÃO DOS REFORMADOS NA GREVE


Aproxima-se a data em que em Portugal se irá realizar uma Greve Geral apoiada por 3 Centrais Sindicais e alguns sindicatos “independentes” contra um pacote laboral anunciado pelo Governo do 1º Ministro Montenegro.


A Direção do ex-Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (ex-SBSI), espinha vertebral da UGT (União Geral dos Trabalhadores) emitiu comunicados sobre o Pacote Laboral e sobre a Greve, mas, que eu saiba, nada mais fez.


Uma greve em que os dirigentes sindicais se não entrosem com os seus respectivos associados está condenada a não obter os melhores resultados.


No caso concreto do ex-SBSI (e se nada estiver a ser feito) seria não só desejável, como fundamental, que:


- Todos os membros do Conselho Geral fossem convocados;


- Que os membros dos Secretariados Regionais e os respectivos Delegados Sindicais (se os houver) se desloquem aos locais de trabalho e incentivem e expliquem aos trabalhadores a importância da greve;


- Que os membros dos Secretariados Regionais apelem aos associados reformados para se concentrarem em determinadas horas num determinado local, nomeadamente junto das sedes sindicais, deslocando-se posteriormente, em passeio, pelas agências dos bancos;


- Que os membros dos Secretariados de Empresa e os respectivos Delegados Sindicais (se os houver) se desloquem aos locais de trabalho e incentivem e expliquem aos trabalhadores a importância da greve;


- Os Corpos Gerentes do ex-SBSI devem nos dias que antecedem a greve deslocar-se às sedes dos Bancos e junto dos trabalhadores apelarem à greve;


- Que os membros do Secretariado de Reformados apelem aos associados reformados para se concentrarem em determinadas horas num determinado local, nomeadamente junto da sede do sindicato, deslocando-se posteriormente, em passeio, pelas agências dos bancos.


A PARTICIPAÇÃO DOS REFORMADOS BANCÁRIOS QUE NÃO OBSTANTE NÃO TEREM UMA IMPORTÂNCIA DECISIVA NOS RESULTADOS DA GREVE PODE SER UMA DEMONSTRAÇÃO DE SOLIDARIEDADE IMPORTANTE COM OS TRABALHADORES NO ACTIVO ATÉ PARA A REIVINDICAÇÃO DA TABELA (SALARIAL) ÚNICA PARA TRABALHADORES NO ACTIVO E NA SITUAÇÃO DE REFORMA.


Também os trabalhadores no activo não devem ficar em casa e, se possível (devido a eventuais dificuldades de transporte) devem ser convocados para junto das respectivas sedes sindicais regionais e nacional.


Se a Direção do ex-SBSI não desenvolver toda uma acção que conduza ao êxito da greve e se limitar a ter acções meramente burocráticas há que questionar se a luta que dizem querer não será apenas uma acção de cosmética ou, então, o corolário de uma incompetência que se manifesta ao longo dos anos.


quinta-feira, 2 de outubro de 2025

ACÇÃO URGENTE DE PROTESTO


 (Imagem obtida no sitio da RTP)


MOVIMENTO DE SOLIDARIEDADE COM A PALESTINA


Quinta-feira, dia 2 de outubro de 2025 – Ação de protesto urgente em frente à Embaixada de Israel em Lisboa: pela libertação dos cidadãos portugueses feitos reféns por Israel, pelo fim do cerco ilegal a Gaza e por sanções que travem os crimes contra o povo palestiniano cometidos pelo Estado de Israel.


Nota à comunicação social

O movimento de solidariedade com a Palestina convoca uma ação de protesto urgente amanhã, dia 2 de outubro, às 18h00, em frente à Embaixada de Israel, em Lisboa, contra o ataque israelita à Global Sumud Flotilla.

Após dois anos de genocídio contra o povo palestino em Gaza e de contínuos ataques contra a Cisjordânia, o Estado de Israel continua a atacar, agora contra uma ação internacional pacífica. Desta vez o alvo foi a Global Sumud Flotilla, uma frota marítima composta por dezenas de pequenas embarcações que partiram de diferentes portos do Mediterrâneo rumo a Gaza e que inclui a delegação portuguesa composta por Mariana Mortágua, Miguel Duarte e Sofia Aparício. O ataque ocorreu após declarações explícitas de incitamento por parte de responsáveis israelitas, incluindo o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros, que anunciou publicamente a intenção de impedir a flotilha de chegar ao seu destino — uma retórica que procurou normalizar a violência e preparar o terreno para a agressão. O exército israelita interceptou os barco em águas internacionais, um ataque ilegal, em flagrante violação do direito internacional e da lei do mar, constitui uma agressão contra Portugal e contra muitos outros Estados. Foi um sequestro em águas internacionais e uma detenção arbitrária e ilegal, cuja libertação imediata se impõe.

Não podemos permanecer em silêncio, nem deixar de expressar a nossa indignação. Não se trata apenas da Palestina, mas também do futuro de um mundo que não pode aceitar viver sob a lei do mais forte. Exigimos que Portugal, no pleno exercício da sua soberania, aja com todos os meios diplomáticos e jurídicos ao seu dispor para garantir a libertação imediata dos seus cidadãos feitos reféns por Israel, um Estado que viola reiteradamente o direito internacional com total impunidade. Do mesmo modo, exigimos que o governo português use todos os instrumentos diplomáticos ao seu alcance para pressionar pelo fim imediato do cerco ilegal a Gaza e para promover, junto da União Europeia e das Nações Unidas, o estabelecimento de um corredor humanitário permanente. E, sobretudo, exigimos que o governo adote e concretize sanções efetivas contra Israel — tanto no quadro europeu como no plano bilateral — como medida essencial para responsabilizar o Estado de Israel e para cessar o genocídio em curso.

Portugal tem de se colocar, sem ambiguidades, do lado certo da história, pelos seus cidadãos, pela flotilha humanitária e pela Palestina.

Convidamos todas as pessoas solidárias com a Palestina, defensoras da paz e dos direitos humanos, e todos os cidadãos e cidadãs indignados com este ataque contra Portugal e contra os seus cidadãos, para se juntarem a nós neste protesto.

LIBERTAÇÃO DOS CIDADÃOS PORTUGUESES · FIM AO CERCO ILEGAL · SANÇÕES EFETIVAS A ISRAEL

        Palestina Livre! A Flotilha Humanitária somos nós!


AÇÃO URGENTE DE PROTESTO

5°FEIRA, 2 DE OUTUBRO 2025


AVEIRO (18:00) - PRAÇA DA REPÚBLICA - EM FRENTE À CÂMARA

BRAGA (19:00) - CHAFARIZ • CASTELO BRANCO (18:30) - EM FRENTE A CÂMARA MUNICIPAL

COIMBRA (18:00) - PRAÇA 8 DE MAIO

FARO (18:30) - ROTUNDA DO FORUM ALGARVE

LISBOA (18:00) - EM FRENTE À EMBAIXADA DE ISRAEL

PORTO (19:00) - PRAÇA D. JOAO (RIVOLI)

SETÚBAL (18:30) - PRAÇA DU BOCAGE

VISEU (18:00) - RUA DOM ANTÓNIO ALVES MARTIN 


quinta-feira, 1 de maio de 2025

VOCÊ e o 1º de Maio

 


VOCÊ


Sim, você que me está a ler e que talvez não o faça até ao fim porque estas ideias mexem consigo.


Você que não é solidário com o seu semelhante, mas que até contribui para os Bancos Alimentares Contra a Fome, com os peditórios para os bombeiros, para a Cruz Vermelha, para os pobres da sua igreja, porque você confunde solidariedade com caridade.


É para Você que não consegue ser solidário pelo menos uma vez no ano que escrevo estas palavras.


Hoje é o 1º de Maio, dia pelo qual milhares de trabalhadores por conta d’outrem lutaram, foram presos e morreram, para que pudesse ser festejado por todos em liberdade. Mas, milhares de trabalhadores em Portugal não vão poder festejar o 1º de Maio em Portugal porque os patrões e também Você os vão impedir.


São milhares os trabalhadores de serviços não essenciais (grandes superfícies) que são obrigados a trabalhar no dia 1º de Maio (e aos Domingos) porque os patrões a isso os obrigam e porque Você que vai fazer compras nesses estabelecimentos dá assim cobertura às argumentações do patronato.


Hoje, pelo menos hoje, saia à rua, festeje o 1º de Maio e não vá às grandes superfícies comerciais.


VIVA O 1º DE MAIO


Sugiro-lhe, para um maior e melhor esclarecimento desta temática que aceda a “Ladrões do Tempo


sexta-feira, 11 de abril de 2025

ENCERRAMENTO DO CENTRO DE FÉRIAS

 

Imagem obtida no espaço do MAIS Sindicato

O ENCERRAMENTO

DO

CENTRO DE FÉRIAS E FORMAÇÃO

(Propriedade do ex-SBSI)

Ferreira do Zêzere


ANTECEDENTES DO ENCERRAMENTO


Após a “Idade de Ouro” do sindicalismo bancário, não confundir com o período em que maiores conquistas politico-sindicais se conseguiram, o SBSI iniciou uma fase descendente e de forma acelerada. Bastaram 10 a 15 anos para se liquidarem direitos adquiridos, fruto de duras lutas desenvolvidas por gerações de bancários e, a degradação atinge níveis nunca pensados quando os bancários elegem administradores propostos pelas Tendências Sindicais Socialista e Social Democratas necessárias para manter a capacidade financeira da UGT.

A “Idade de Ouro” inicia-se no SBSI a 9 de Maio de 1988 e termina a (se a memória não me atraiçoa) 12 de Maio de 2000 com uma aliança, que durou 12 anos, entre militantes do PS, do PCP e independentes partidários propostos pelo PCP.

Se os resultados eram tão bons, porque não prosseguiram é a pergunta óbvia

Para conhecer, pelo menos, uma versão da história é necessário ler o que 5 sindicalistas à época escreveram sobre o assunto.

Esses 5 sindicalistas escreveram a 1 de Março de 2000 preconizando o futuro:


Com a ruptura da coligação actual há (se a lista PS/PSD/MRPP vencer!) consequências já evidentes:

Dificuldades na defesa dos bancários no que respeita à integração na Segurança Social que está em negociação; a gestão critiriosa actual dos SAMS em risco com o possível regresso de gente que os levou à beira da falência; avanço para os SAMS, dito único, facilitado; constituição duma Federação do Sector, a que se alienaria o poder de negociação colectiva; reforço da UGT, seja pela via organizacional (com a Federação) seja pelos apoios e facilidades indevidas.

É fácil concluir que a ruptura desta actual coligação não saem beneficiados os bancários, nem defendidos os seus interesses” (Convite à Inquietação - texto integral pode ser acedido abaixo)


A 23 de Janeiro de 2002 os mesmos sindicalistas perguntaram, dois anos depois do Comunicado de Março de 2000, quem de boa fé podia afirmar que estavam enganados?

Diziam então, além de outras ideias, o seguinte:


A actual Direção (PS/PSD/MRPP) ABRE UMA BRECHA PROFUNDA NA NEGOCIAÇÃO COLECTIVA DOS BANCÁRIOS.

- O Acordo de Empresa negociado secretamente com o Grupo BCP sem a participação dos trabalhadores e da Estrutura Sindical retira direitos aos trabalhadores e compromete as futuras negociações do Acordo Colectivo de todos os restantes Bancários;

- O Acordo SAMS / MEDIS confere mais direitos a alguns Bancários (o que é legitimo) à custa dos restantes que, não beneficiando de mais direitos, vêem aumentadas as despesas dos SAMS (o que é ultrajante).


Noutra parte do comunicado lê-se:


Quem empurrou e continua a empurrar os socialistas para os braços da direita sindical, não foram nem são as Listas Unitárias! Não foi e não é a CGTP!: foram e são decisões de alguns elementos com peso nas estruturas partidárias do PCP.

Criaram-se rupturas para atirar para os braços da direita sindical os socialistas, por forma a justificar projectos pessoais, de grupos e também partidários, consubstanciados na criação de um Sindicato” (Impõe-se falar verdade - texto integral pode ser acedido abaixo)


É então, por iniciativa de militantes do PCP, que nasce no Grupo CGD um sindicato de empresa, o STEC - Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo da Caixa Geral de Depósitos e, posteriormente, surge o SINTAF – Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Financeiro.

Enquanto os banqueiros se unem para serem mais fortes, os Bancários são divididos por uma iniciativa de quem os deveria unir. Com a criação destes dois sindicatos o PCP promove a extinção das Listas Unitárias na Banca o que obriga um número significativo de sindicalistas, militantes do PCP (que não concordaram com a orientação do Partido), sindicalistas do PS, do PSD e, até, do CDS, que se não reconheciam nas práticas da Direção do SBSI, a constituírem o MUDAR – Movimento de Unidade, Democracia e Acção Reivindicativa.


CHORAR SOBRE O LEITE DERRAMADO?

OU LUTAR?


Não basta clamar nas redes sociais contra o estado a que o ex-SBSI chegou (e de que o encerramento do centro de Férias e Formação é o exemplo mais recente) devido à falência de objectivos construtivos de sucessivos administradores do Sindicato que, não podemos ignorar, foram propostos pelas Tendências Sindicais Socialista e Social Democrata.

A razão desta aliança contra natura reside essencialmente na necessidade de manter e criar a paz na UGT, pois não é possível também ignorar que o ex-SBSI é um dos maiores contribuintes financeiros desta Central Sindical.

Por outro lado, o MUDAR (ver AQUI) por si só dificilmente passa o seu projecto de forma autónoma, pois não tem um número de activistas suficiente e também não tem capacidade financeira, não obstante ter no seu seio sindicalistas de elevada reputação.

A Tendência Sindical Socialista (TSS) receia perder o controlo do ex-SBSI se não estiver aliada à Tendência Social Democrata (TSD) e, por sua vez, não consegue encontrar, no seio dos Bancários Socialistas, sindicalistas embuídos de espírito de missão e com conhecimentos mínimos do que representa o sindicalismo em Portugal, na Europa e no Mundo e da relação de forças com o patronato.

No Conselho Geral do ex-SBSI, onde as grandes linhas de orientação do sindicato se deveriam debater livre e profundamente, os membros que o compõem não têm (ou não querem ter) força anímica (para não utilizar outra expressão menos agradável) para se opor à progressiva descredibilização do sindicato.

Mas, para ir ao âmago da questão, também nos trabalhadores bancários, nomeadamente nos sócios do ex-SBSI, impera a descrença e a percepção de que o sindicato não tem força suficiente para obstar às pressões que sofrem por parte das entidades patronais, acrescido do facto de os dirigentes sindicais não saírem da Rua de S. José e, assim, serem entidades abstractas. Será, por ventura, uma das razões, senão a principal, por nas votações para os Corpos Gerentes uma maioria esmagadora não exercer o direito de voto. E, pasme-se!, nem precisam de se deslocar para votar.

Há também que equacionar o facto de se todas Tendências sindicais concorrerem isoladas às eleições a que vencer terá dificuldade em gerir o sindicato na medida em que as outras tendências poderão sempre criar uma oposição negativa relativamente a quaisquer propostas.

Assim, nos anos mais próximos, na minha opinião (e espero que não só na minha) as direcções futuras estarão condenadas a surgir de alianças entre pelo menos duas Tendências Sindicais. Contudo, a manter-se a actual coligação no ex-SBSI, o caminho para o descalabro será progressivo até a um ponto de não retorno.


PARA NÃO MAIS ENCERRAMENTOS

A SOLUÇÃO POSSÍVEL


O retorno à “Idade de Ouro” do sindicalismo bancário passa pelo assumir corajoso de obectivos de mudança por parte de sindicalistas responsáveis da Tendência Sindical Socialista e de sindicalistas da Tendência Sindical MUDAR que se comprometam com um Programa virado para a unidade na acção e, a bem dos trabalhadores bancários, concorrerem juntos às próximas eleições para os Corpos Gerentes do ex-SBSI.


CONVITE À INQUIETAÇÃO

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IMPÕE-SE FALAR VERDADE

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