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obtida o portal da “itafortnet”
A
PROPRIEDADE E GESTÃO DOS SAMS
(AVISO
– Vai começar a ler um texto longo e “chato”. Se não gosta de
ler, pare já)
Dez
horas e trinta minutos de um dia de Maio.
Cerca
de 10 minutos depois de ter feito uma ligação telefónica para os
Serviços de Assistência Médico Social (SAMS) do Sindicato dos
Bancários do Sul e Ilhas (em transição para o MAIS Sindicato) e
premido a tecla 3, opção que me foi sugerida, sou atendido.
Precisava
de medicamentos e necessitava de uma consulta de estomatologia.
Relativamente
aos medicamentos fui informado que poderia ter nesse mesmo dia, pelas
16 horas, uma consulta telefónica com a minha médica assistente.
Aceitei.
Sobre
a consulta de estomatologia esclareceram-me
que iria ser contactado pelo serviço respectivo afim de me ser
agendada a consulta.
Às
16 horas desse mesmo dia a minha médica assistente contactou-me
telefonicamente e, de imediato, disse-lhe os medicamentos que
pretendia. A médica anuiu e só desligou depois de lhe ter garantido
que nada mais pretendia, pois não tinha razões suplementares de
saúde para o fazer.
Cerca
das 19 horas recebi por SMS e por e-mail uma receita electrónica com
os medicamentos solicitados.
Umas
72 horas depois deste telefonema fui contactado pelo serviço de
estomatologia (suponho) e, depois de explicar o meu problema de
saúde, foi-me proposto para cerca de 3 dias depois uma consulta
presencial.
No
dia agendado e uns 20 minutos antes da hora marcada para a consulta
de estomatologia cheguei ao Centro Clínico de Lisboa (Fialho de
Almeida), estacionei o carro no Parqueamento ali existente e
coloquei-me numa bicha (não gosto do termo fila) na porta de entrada
onde se encontravam umas 10 pessoas. O tempo de espera para entrar
foi inferior a 10 minutos.
Logo
à
entrada uma senhora revestida de plástico dos pés à cabeça
“obrigou-me”
a desinfectar as mãos com
um liquido apropriado.
Não
me deu
nenhuma máscara porque
já levava uma colocada e esclareceu-me
que devia seguir as marcas
assinaladas
no chão.
No
balcão da recepção do serviço de estomatologia fui atendido por
uma senhora “mascarada”, colocada por detrás de uma barreira
acrílica transparente. Identificou-me, confirmou a consulta que
estava agendada e entregou-me um questionário para preencher e
entregar ao médico.
O
questionário tinha meia dúzia de perguntas relacionadas com o
COVID-19 cujas respostas estavam programadas para um “sim” ou um
“não”.
Na
sala de espera apenas
umas
3 pessoas aguardavam
e
só me podia sentar nos lugares que não estavam assinalados como
proibidos de
utilizar.
Há
hora marcada, mais ou menos, fui atendido e tratado.
Saí
dos SAMS, já depois de ter passado pela para-farmácia, cerca de 30
minutos depois de ter entrado.
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***** *****
Acreditar
que o NOVO NORMAL acima
descrito
apaga as medidas erradas que
poderão alegadamente estar na origem do
encerramento TOTAL da
prestação de serviços
de saúde aos
bancários e que, agora, tudo
está bem, será
estultícia.
A
Direcção do
sindicato foi
negligente ao não antecipar as medidas que se impunham para prevenir
os contágios entre doentes e profissionais de saúde e não teve a
capacidade de, sob pressão, tomar decisões em que a cura se não
revelasse má ou mesmo pior que a doença. Temos
uma Direcção que sob pressão não conseguiu reagir com a calma e a
sapiência necessárias a uma situação grave.
Ou
será... que a deliberação de encerrar os SAMS foi uma medida
conscientemente tomada e inserida numa estratégia cujos objectivos
ainda não estão claros?
RECORDEMOS:
Em
2008
a Direcção do SBSI avançou com negociações sigilosas para
entregar ao Grupo HPP Saúde o controlo operacional do Centro
Clínico, dos Postos Periféricos e do Hospital dos SAMS. A táctica
então usada só não resultou porque uma expressiva maioria de
sócios do SBSI se opôs.
Em
2010,
depois da derrota da
alegada tentativa
de “privatização” dos SAMS, a Direcção do SBSI avançou com a
aprovação de um “protocolo
com a AdvanceCare que consubstancia o novo Plano de Benefícios,
(que)
surge
para tentar dar resposta a estas dificuldades”.
Ainda,
segundo
Rui Riso, (actual Presidente da Direcção do SBSI) este
acordo devia-se,
também, ao
facto de
os beneficiários terem “enorme
dificuldade em marcar consultas pois a capacidade do Centro Clínico
está esgotada”.
Um
protocolo em que a Direcção do SBSI concordou que a AdvanceCare
passasse também a ser responsável a nível nacional por:
- Gerir os acordos com os prestadores de serviços;
- Pagamento dos serviços prestados;
- Contactos e reclamações dos prestadores e beneficiários;
- Análise e emissão das pré autorizações (termo de responsabilidade) para cirurgias, internamentos, partos e atos que exijam utilização de bloco/assistência hospitalar.
Em
2017
os SAMS dos Sindicatos dos Bancários do Centro e do Norte quase que
extinguem a prestação de serviços de saúde directos que
vinham proporcionando
e acordam
igualmente
um protocolo com a AdvanceCare.
Em
2018 a Direcção do SBSI
divulga
um “Seguro
de Saúde”
que
“permite o acesso
à Rede AdvanceCare e ainda à Rede SAMS que”,
segundo
a Direcção,
“oferece um maior
benefício na utilização, com copagamentos mais reduzidos.”,
(ver AQUI). Este seguro é pago pelos beneficiários que a ele
aderirem conforme se pode constatar no documento.
*****
***** *****
Estas
medidas, e eventualmente outras que desconhecemos, permitem especular
(ou não?) sobre uma progressiva alienação da gestão e até da
propriedade dos SAMS?
ESTAREMOS
PERANTE UMA ESTRATÉGIA INICIADA EM 2008 (E QUE OS BANCÁRIOS ENTÃO
RECUSARAM) QUE CONDUZIRÁ À EXTINÇÃO DOS SAMS ENQUANTO SERVIÇOS
DE PRESTAÇÃO DE CUIDADOS DE SAÚDE GERIDOS E PROPRIEDADE DOS
BANCÁRIOS?
Como
se sabe, a inclusão do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas no já
existente “Sindicato da Banca, Seguros e Tecnologias”, conhecido
por “MAIS Sindicato” e que é constituído por trabalhadores dos
sindicatos destes sectores e que passarão, obviamente, a eleger, em
igualdade de circunstâncias com os bancários, a respectiva
Direcção. E, aqui, surge uma nova dúvida a que se
não pode fugir e que importa ser profundamente esclarecida:
EM
QUE CONDIÇÕES A PROPRIEDADE E A GESTÃO DO SAMS / SBSI PASSARÁ A
SER ENQUADRADA NO “SINDICATO DA BANCA, SEGUROS E TECNOLOGIAS”?
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***** *****
Continuar
“bater
na mesma tecla”, aumentar
o
coro de lamentações que
chora sobre o leite derramado que foi encerramento
dos
serviços
dos SAMS,
não
é a
melhor estratégia necessária
para continuar a mobilizar os bancários e
contrariar o que parece ser o objectivo da Direcção do SBSI.
NOTA:
Os SAMS são uma propriedade (colectiva) dos bancários sócios do
SBSI, construído pelos bancários, com o dinheiro dos bancários
(incluindo as contrapartidas do trabalho prestado à banca), gerido
pelos bancários e os lucros obtidos com a prestação de serviços é
integralmente investido nos SAMS (não é distribuído pelos
accionistas). Mais que uma empresa privada é uma empresa social e que
assim se deve manter, pelo que qualquer tentativa de desvirtuar essa
característica deve ser repudiada e combatida.
Se os Bancários continuarem sentado no sofá do comodismo, um dia destes acordam e já não têm SAMS. Não acreditam? Continuem sentados e depois loogo se vê. Eu às vezes não gosto de ter razão e este é um dos casos...
ResponderEliminarQual a Assembleia Geral que aprovou ou mandatou a direção para está " santa aliança"?????
ResponderEliminarQual a Assembleia Geral que aprovou ou mandatou a direção para está " santa aliança"?????
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