quarta-feira, 19 de junho de 2019

DECLARAÇÃO ANTI-GREVE



Imagem original obtida em “Cleuber Carlos”



DECLARAÇÃO ANTI-GREVE

Alice de Jesus Vieira Vassalo Pereira da Fonseca, Comendadora da Ordem de Mérito, é uma escritora e jornalista profissional portuguesa.

A obra literária de Alice Vieira, desde 1979, passa por livros referentes a “Literatura Infante-Juvenil” (29), “Obras para adultos” (13), “Poesia” (2), “Obras conjuntas com outros escritores” (18) e “Coleção Macau (15), num total de 77 livros. É uma personalidade 7 vezes premiada, tanto a nível nacional como internacional e as suas obras estão traduzidas em alemão, búlgaro, castelhano, galego, catalão, francês, húngaro, holandês, russo, italiano, chinês, servo-croata e coreano.

Qual a razão porque esta cidadã portuguesa é referenciada num Blogue sobre “Trabalho e Sindicalismo”? Porque um seu texto, datado de Novembro de 2012, “Declaração Antigreve”, é um autentico poema de apoio aos trabalhadores que lutam por melhores condições e, sem o dizer directamente, um libelo sarcástico e critico aos que egoístamente se quedam imóveis, aguardando, sem nada arriscar, sem nada perder, que os benefícios da luta lhes cheguem.

DECLARAÇÃO ANTIGREVE
DECLARO:

Que estou absolutamente contra qualquer coação que limite a minha liberdade de trabalhar.

Que, por isso, estou contra as greves, piquetes sindicais e qualquer tipo de violência que me impeçam a livre deslocação e acesso ao meu posto de trabalho.

Que por um exercício de coerência com esta postura, e como mostra da minha total rejeição às violações dessas liberdades, EXIJO:

1º. - Quem me seja retirado o benefício das 8 horas de trabalho diário, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a jornada de 15 horas diárias em vigor antes da injusta obtenção deste benefício.

2º. - Que me seja retirado o benefício dos dias de descanso semanal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso de domingo a domingo.

3º. - Que me seja retirado o benefício das férias, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e que me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem descanso os 365 dias do ano.

4º. - Que me seja retirado o benefício dos subsídios de Férias e e Natal, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de receber apenas 12 salários por ano.

5º. - Que me sejam retirados os benefícios de Licença de Maternidade, Subsídio de Casamento, Subsídio de Funeral, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar sem usufruir destes direitos.

6º. - Que me seja retirado o benefício por Baixa Médica por doença, dado que este benefício foi obtido por meio de greves, piquetes e violência, e me seja aplicada a obrigação de trabalhar mesmo que esteja gravemente doente.

7º. - Que me seja retirado o benefício do Subsídio de Baixa Médica e de Desemprego, dado que estes benefícios foram obtidos por meio de greves, piquetes e violência. Eu pagarei por qualquer assistência médica e pouparei para quando estiver desempregado/a.

8º. - E, em geral, me sejam retirados todos os benefícios obtidos por meio de greves, piquetes e violência que não estejam contemplados por escrito.

9º. - Declaro, também, que renuncio de maneira expressa, completa e permanente a qualquer benefício atual ou futuro que se consiga por meio da greve do dia 14 de Novembro de 2012.

(Que se me perdoe a veleidade, mas esta última clausula, no futuro, deveria terminar substituindo “que se consiga por meio da greve do dia 14 de Novembro de 2012” por “ que se consiga por meio de qualquer greve”.)

Um texto que merece ser amplamente divulgado
como forma racional de alertar consciências


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